Ellen Kaminagakura, uma brasileira no Japão

ellenfinalellenflanelaellenegitoEllen Kaminagakura // 27 anos // Professora de Inglês // Hamamatsu-shi – Japão //


Pensem em ir para o Japão. Pensem em viajar para o Japão sem saber falar japonês. Pense em ir morar no  Japão sem saber falar japonês. Pense em ir morar no Japão, sem falar japonês e chegar exatamente um dia depois do tsunami que arrasou o país, deixou mais de 15 mil mortos e milhares de desaparecidos. Pense em começar sua vida do zero exatamente nesse contexto e continuar carregando uma luz linda no rosto, na voz e no jeito que fala.

Esta é a história da Ellen.

Ellen é do tipo que chama atenção e gosta disso! Além de combinar o vintage com o moderno, sabe misturar texturas como ninguém. Tem o poder de transformar qualquer combinação monótona em algo elegante, usando peças feitas com materiais de ótima qualidade. Odeia o “pode não pode” e o “tem que ter” da moda. Acredita que se vestir é algo intuitivo. É uma pessoa que perdeu o medo da opinião alheia e não tem medo de errar, seja no look, seja na vida.

Ao  imaginar-se sendo uma peça de roupa escolheria dar vida a uma camisa vintage xadrez, de flanela claro, porque é confortável e pode ser usada em quase todas as estações do ano. Sonhadora que é, sendo uma camisa xadrez de flanela viajaria para o Egito, desvendaria vários mistérios e teria várias histórias para contar.

Ama o  filme Bigh Fish e adora a ideia de poder transformar suas memórias de um jeito fantasioso. Gosta de viver experiências e transformá-las em lembranças incríveis, meio fantásticas.

Tim-Burton-Big-FishPara ela, montar um look elegante é como uma obra de arte, se você deixar algum detalhe fora, faltará algo em sua obra. Ellen têm pavor de parecer desleixada. “Tudo na gente tem que estar bem cuidado, o cabelo, a maquiagem, o sapato e a bolsa, é um conjunto. E isso tudo também aumenta a autoestima – VOCÊ tem que estar bem!”, diz ela. ˜Além do mais, no Japão peças vintage de marca são super baratas, aqui você tem que pagar para jogar coisas fora, tanto roupa quanto móveis. Tenho camiseta da Dior que comprei por 5 dólares, bolsa Ungaro por 20 dólares. Dá pra estar bem vestido pagando pouco”.

IMG_2247O dia que Ellen foi mais feliz se vestindo foi no dia do seu casamento. “Por uma série de fatores nós não casamos na igreja com direito a vestido de noiva, mas eu usei um vestido plissado em um lindo tom de azul. Ele era longo, mas como o casamento era de dia mandei cortar e deixei ele midi. Combinei com uma sandália e uma bolsa branca. Fiz a minha própria maquiagem, foi um dia muito especial, eu lembro de todos os detalhes”, se emociona ela.

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A Vida no Japão por Izabella Bellenda

IBTudo bem, você é mestiça. Mas por que o Japão, Ellen?

EK– A verdade é que há muito tempo eu e meu marido queríamos sair do Brasil, morar fora. O  Japão era uma opção, mas aí foi bem na época da crise. Tentamos o Canadá, mas acabou não dando certo. Então, voltamos à primeira opção e viemos parar aqui. Chegamos exatamente no dia do tsunami de 2011.

IB -Tsunami, menina? Eu achei aquilo tão surreal que eu tinha meio que certeza que o mundo ia acabar  ali naquela época.

EK -Sim. Quando eu cheguei não vi quase nada sobre o ocorrido porque era um pouco censurado. A gente via a mesma imagem três ou quatro vezes ao dia e os comerciais tinham muito a mensagem de “seja bonzinho, seja gentil”. Foi esquisito porque a gente não viu o que tinha acontecido, mas estávamos há 200 km de onde aconteceu o tsunami mesmo, super perto da Usina de Fukushima. A gente dormia com a TV ligada porque tinha constantemente um mapa do Japão prevendo ondas e terremotos. Então, nossa chegada no Japão foi um misto de felicidade com choque. Os mercados estavam vazios, sem água, sem comida instantânea. Foi uma época muito confusa.

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IB – Passado esse sufoco, como é o seu Japão?

EK – Desde que chegamos aqui mudamos muito, amadurecemos muito, não tem como não evoluir, outra língua, outra cultura, foi uma mudança radical. Mas a gente se adaptou muito rápido. Adoro que testamos muitas coisas e não é preciso ir muito longe pra ver algo diferente. Todos esses fatores inspiram a gente de varias formas. Conversar com pessoas que vieram e saber o porquê ficaram. Andar pelas cidades e ver prédios novos e altos e de repente um beco com lamens super escondidos. O Japão é incrível porque se você explorar vai encontrar alguma coisa que você não esperava.

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IB -Você se mudou duas vezes depois que chegou no Japão. Ele é um país que muda muito de paisagem de lugar pra lugar, certo?

EK – Sim. Em Yamamanako nevava muito, super frio, as coisas fecham cedo, dependendo do estabelecimento ele fecha por meses e ainda por cima tinha a Floresta do Suicídio, o segundo lugar do mundo em que as pessoas mais se matam. Resolvemos nos mudar, mudar a energia. E tudo realmente mudou. Aqui em Hamamatsu-shi eu comecei a dar aulas de inglês e isso me ajudou muito. Eu sou meio tímida e tenho vergonha de falar, tinha um pouco de medo de ser julgada, de me expor. Mas quando comecei a dar aulas isso teve que mudar e hoje eu sou diferente. Eu preciso ensinar as pessoas e não só falando, mas de todas as formas possíveis. Comecei a ser mais caricata e desenvolvi muito minhas habilidades de expressão. Eu adoro! Me fez abrir os olhos e meu medo foi embora.

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IB – E qual foi a experiência que você sentiu que mais mudou a sua vida, que transformou a Ellen?

EK – Foram muito anos pra eu me encontrar e acho que isso só aconteceu quando eu conheci meu marido. Eu estava tentando medicina em diversos lugares do Brasil e em uma ida para Ribeirão Preto eu o conheci e nunca mais deixamos de estar juntos. Já são nove anos. Foi ele que viu que eu não queria ser médica, que eu gostava de arte, de moda e sempre me incentivou nisso. Aí eu vi quem era a Ellen. Tiveram diversos fatores que me levaram a buscar algo a mais da minha vida, situações que eu não queria aceitar e não aceitei. Por isso, hoje eu acho que na verdade a Ellen é cada experiência nova que vive.

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Para saber mais sobre a Ellen acessem o blog www.universeandyou.com.br


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