Especialzão NY: NYC loves ME!

Hoje começa o Especialzão NY! Uma semana inteirinha só de posts sobre New York! Além dos posts de minha autoria, convidados queridos – que compartilharam comigo alegrias, angustias, aventuras e incertezas durante o período que morei em NY – deixarão aqui suas dicas, sentimentos e impressões sobre a cidade que nunca dorme.  É mais que especial pra mim, poder reunir e deixar registrado aqui nesse espaço um pedacinho de algumas das pessoas que fazem parte da história da minha vida. Muito obrigada a todos que  participaram! <3

NYC loves ME!

*Por Paula Sefer

Quando decidi ir morar em Nova York, não pensei muito sobre o assunto e só digeri por completo quando aterrissei na cidade. Foi uma decisão de última hora, meio que má pensada mas muito bem tomada. Nova York nunca fez parte dos meus planos de vida, eu simplesmente odiava aquela cidade quando mais nova; odiava o cinza, os prédios que tapavam o céu, o frio que arranha o rosto, os ventos nas esquinas, a forma como o consumismo dominava Manhattan, a correria e o fato de as pessoas estarem sempre atrasadas (ou não), eu odiava meus pés doendo no fim do dia e odiava a frieza dos americanos. Mas, veja bem, aparentemente eu não sabia de nada.

No verão de 2013, arrumei as malas, comprei uma passagem, me matriculei em alguns cursos por lá, terminei meu namoro, pedi demissão do trabalho e sai do conforto do meu lar carioca para me aventurar, completamente sozinha, na Big Apple. Eu sinceramente não sabia o que me esperava, eu só sabia que eu precisava daquilo para amadurecer algumas questões profissionais e pessoais e só uma cidade com a velocidade de Nova York poderia me proporcionar um choque, uma porrada, um desafio e uma experiência tamanha a ponto de saciar a minha vontade de “mundo” em um curto período de tempo.

Aluguei um apartamento em Williamsburg no Brooklyn, eu sabia que era o bairro hypado do momento mas realmente não sabia mais nada além disso. Eu queria ver arte, respirar a cultura que as pessoas tanto diziam transbordar por ali, queria conhecer artistas, músicos, fazer amigos do mundo inteiro e ah, eu tinha alguns planos de ser a pessoa mais feliz do mundo por ali, confesso. O que não é bem assim…

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Depois de um tempo, você percebe que morar em Nova York não é para qualquer um. É uma cidade veloz, te domina e te consome caso você não saiba administrar a quantidade de informação diária que ela te manipula a adquirir. É uma cidade extremamente solitária e caso você não saiba dialogar com isso, cai fora, não vai dar certo viver ali. É uma cidade excitante, sim, porém selvagem e cabe a você controlar esses dois fatores que caso mal administrados te colocam no fundo de um poço. É uma cidade autossuficiente, ou seja, ela te diz de diversas formas diariamente que não precisa de você. É uma cidade que anda rápido, você tem que correr para não perder o metrô. Se você não correr, você pode chegar atrasado e americano odeia pessoas atrasadas. É uma cidade gelada na maior parte do ano, aprenda a andar no frio ou vá embora. E ufa, depois de um certo tempo a solidão, a correria, o frio, a essência dominadora e o excesso de informação podem fazer qualquer um desistir mas aí você pára e pensa nos fatores positivos, que são incontáveis e que me fizeram ficar completamente apaixonada por aquela cidade e não querer nunca mais sair dali.

É uma cidade bem esperta e isso significa que você precisa ser mais esperto. Faça as coisas com calma porque ela te prega algumas peças, caminhe contra o fluxo e vá devagar. O próximo metrô vai passar e não vai demorar muito, eu juro. A solidão é relativa, você pode ter o que você quiser ali e talvez por isso as pessoas não precisam ou não fazem questão de companhia, afinal das contas quem não é completamente feliz lendo um livro em um fim de tarde deitado em um parque de frente para o rio sem barulho e sem cheiro de cidade grande? E quem não fica completamente realizado vendo o show da banda preferida, mesmo que sozinho? E quem precisa de companhia, quando pode ir pra um bar qualquer no East Village e conhecer mil pessoas interessantes em uma só noite? Pois é, brasileiro gosta de companhia, busque as suas. Elas existem, é só você querer. Aprender a dialogar com paciência e sem gritar com Nova York é um dom, “Querida NY, não quero ficar sozinha hoje, me deixa procurar meus amigos. Sei que eles são efêmeros mas são os que tem pra hoje”, a cidade não vai te dizer “não”. As pessoas são passageiras, todos vão e voltam e só os fortes sobrevivem por ali, então tente não se apegar muito, e quer saber? Isso é ótimo! Você aprende a curtir sua própria companhia mais do que qualquer outra companhia e o único ser humano que você não consegue viver sem, passa a ser apenas você mesmo. Então eu decidi ser uma das pessoas fortes que sobrevivem por ali, porque meu coração foi roubado e eu tenho que seguir o caminho dele no lugar do mundo que foi escolhido para chamar de lar.

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Conviver com tudo isso é um desafio extremamente gratificante e enriquecedor, se eu puder dar um conselho eu diria que todo mundo deveria morar pelo menos uma vez na vida em NYC, nem que seja por 2 ou 3 meses, mas vá. Passe por tudo isso, chore no M train olhando o pôr do sol caindo na Manhattan Bridge, brinque de achar o céu em Midtown, corra em um parque vazio, ande de bicicleta durante o outono no Central Park e se jogue no meio das folhas alaranjadas, descubra o Brooklyn as much as you can (ele tem muito a te acrescentar), explore as galerias do Chelsea e se perda no Highline em um fim de tarde, tente adivinhar os livros que as pessoas estão lendo no metrô, frequente shows e evite a Broadway, aprenda palavras em línguas mortas com os indianos, passe uma tarde inteira degustando as cervejas do Brooklyn Bewery e vá beber os shots de whisky do Whisky Brooklyn, aprenda as regras do futebol americano e fique feliz quando estiver passando na tv de um bar e você entender TUDO (é uma sensação única, risos), coma bagel com cream cheese e pizza de $1, fique completamente viciado pelo Wholefoods, compre vestidinhos de $7 na Forever 21, use 1 vez e jogue fora, descubra o que é o tal do “Ass Juice”, mande um cartão postal pelo correio para alguém que você ama (isso mesmo!), odeie com todas as suas forças o G train, descubra o lado divertido da neve, vá na maior quantidade de museus que você conseguir e compre 75 mil posters mesmo sem ter lugar na parede para colocar, cultive e cuide de uma planta, assista ao show do Reverend na Union Pool segunda-feira, observe os muros grafitados, preste muita atenção no céu pois NYC é dona dos sunsets mais bonitos que já vi na vida (really!), respire a música que a cidade te oferece por todos os cantos, perder o metrô algumas vezes para ouvir um dos muitos e brilhantes artistas que ficam por ali vale a pena assim como é inevitável passar pela Union Square no meio da tarde e não se deparar com alguma performance de tirar o fôlego, caminhe e perda-se. É um caminho sem volta, mas vale a pena.

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Aí a gente para e vê que a cidade amoleceu, ela tem coração mole e se entrega, fica nas suas mãos e a única coisa que a tal da Big Apple passa a te oferecer é: amor e um mundo de oportunidades que não cabem em uma só vida. New York I love you but you are bringing me down passa a ser só uma música bonita do LCD Soundsystem.

Obs.: aprenda a conviver com os ratos.

*

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4 comentários sobre “Especialzão NY: NYC loves ME!

  1. steh disse:

    Ah que lindo *-* Tive o prazer de pisar duas vezes em nyc e me encantei, agora fica a saudade e vontade de voltar!! E o sonho de poder passar uma temporada assim por lá 6 meses, um ano, morro de vontade.. quero muito realizar isso!!

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