Só amor não paga as contas

poneismalditos
Largue tudo e vá fazer o que você ama.” bradam as frases de autoajuda e projetos que circulam na internet.

Para alguns esse sentimento ficou muito forte no último ano – para outros, é um dilema que incomoda há mais tempo.

Mas para largar tudo e fazer o que se ama, antes de qualquer coisa, é preciso segurança.
Não estou falando da segurança de saber que é preciso romper com o que te faz mal – embora isso seja importante.
Falo da segurança emocional e financeira.
Quem nós vamos enganar? Precisamos de dinheiro. “Ah eu vivo bem sem dinheiro. não gasto nada.” ok. Mas e o seu aluguel, luz , água, comida, plano ilimitado do iphone, quem paga?

Se você está infeliz com seu trabalho e mora com seus pais ou alguém que te possa te dar este suporte financeiro? Se joga.
Se a situação não é assim, nada que um pequeno planejamento não resolva. Poupe, prepare-se, busque o que te move – ninguém merece menos que isso.

Mas não se iluda – a jornada do descobrir o que se quer fazer não é fácil.

Sim, você deve gostar do seu trabalho e não, você não deve permanecer em um que odeia. Mas é irreal pensar que mesmo fazendo o que você ama, nunca irá se deparar com situações desagradáveis e que você preferiria não fazer no seu dia a dia. Saiba que apostando num sonho, muitas vezes vai trabalhar bem mais do que trabalhava antes e provavelmente ganhando muito menos no começo.

Mas e então, de onde vem essa ilusão toda?
Como foi muitíssimo bem descrito e ilustrado no texto do Huffington Post {que você pode ver traduzido aqui}, por alguma razão nós – da geração Y – aprendemos que somos especiais.

“Mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”.
E com o passar dos anos e uma realidade cada vez menos correspondente às expectativas, ficamos frustrados. “Como ninguém percebeu ainda o quão fabulosa eu sou?”

É verdade que vem acontecendo uma inegável mudança na estrutura de trabalho como nossos pais conheceram. No tempo deles, trabalho era essencialmente sinônimo de esforço – fosse ele físico ou emocional. Hoje, valorizamos cada vez mais o trabalho imaterial, o estudo – fazemos mestrado e doutorado não apenas para dar aulas: fazemos para saber mais. Mas não devemos subestimar a prática do fazer, pois ela também realiza. Quem já não ouviu histórias do publicitário que largou tudo pra fazer pão, ou do designer que foi fazer cerveja?

Tanto antes como hoje, ter sucesso depende muito mais de esforço do que já ter nascido maravilhosamente fabuloso.
Você pode ser especial sim, pra sua mãe. Mas no mundo real todos temos que ralar.
É só escolher trabalhar duro naquilo que você ama muito mais do que odeia.
Pois não se vive só de amor (pelo que se faz) e uma cabana.


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9 comentários sobre “Só amor não paga as contas

  1. Dani Rebelo disse:

    Perfect! Dilema de muitos da nossa geração. Jogar tudo pro alto, tendo que juntar tudo rapidinho depois… Pouco a pouco construímos nossa jornada, transcendendo ansiedade e conhecendo nosso caminho. ;) Adorei Li, bom dia!

  2. Paulo Geyer disse:

    Taí uma coisa que tem intrigado as pessoas por um bom tempo, acho que uma das melhores sugestões que eu vi foi “não faça o que você gosta, se você fizer, vai passar o dia inteiro fazendo festa e bebendo. Ao invés disso, aprenda a gostar do que faz”. Um professor de administração falou isso durante uma aula, fez muito sentido pra mim.

    Paul Graham tem umas ideias boas sobre o assunto, http://www.paulgraham.com/love.html

    • lavestuarista disse:

      Não acho que as pessoas que fazem o que amam passam o dia bebendo. hahaha… A não ser que essa seja sei lá, uma metáfora estranha. Acho que sim, pode ser no sentido de não sentir que está trabalhando pesado.

      E concordo plenamente com o gostar do que se faz. Beijo

      • Paulo Geyer disse:

        Ah, sobre o exemplo de beber o dia inteiro, o professor estava falando com adolescentes em um curso de Sistemas de Informação, eles beberiam o dia inteiro se deixassem :)

        De qualquer maneira, é difícil achar algo que a gente goste de fazer, e que as pessoas gostem o suficiente pra nos pagar por isso. No fim, a gente recebe pra fazer o que as OUTRAS pessoas amam que a gente faça

    • Belisa Moreira disse:

      Teoria interessante Paulo! A verdade é que é necessário encontrar um meio termo – afinal, quem pagaria pra gente festar o tempo todo? ;)
      Também concordo ser possível aprender a gostar do que fazemos, como eu disse no texto, tudo tem seus prós e contras – depende da maneira que olhamos. Um trabalho digno, mesmo não sendo apaixonante, merece um pouquinho de consideração por prover nosso sustento, né?

  3. Cecilia Schubsky disse:

    Adorei o post porque vivi isso. Sou professora e trabalhava em um espaço que não estava somando nada. Estudei, passei pro doutorado e fiz contas, muitas contas e descobri que dava pra apertar e ficar no lugar que me dava prazer. Agora estudo o que quero e trabalho no lugar que gosto, mas ainda me descabelo muito. Mas é diferente do descabelar de antes.
    Conquistas miúdas mas que fazem a diferença.

  4. Thais Cavalcanti disse:

    Adorei esse post. Passei muito por isso quando abri mão de ser compradora numa grande empresa, ganhando um salário bem razoável e com perspectivas de crescimento, pra ser fotógrafa e não ter um salário fixo, nem plano de saúde e nem estabilidade. Não é fácil. E tem dias que quase bate um arrependimento. Mas, no geral, acho que valeu a pena.

  5. Ruth Rodrigues disse:

    Muito bom esse post! As pessoas precisam ser mais realistas e não viver só de ideas de filmes ou músicas, haha. E isso também se aplica aos relacionamentos, por exemplo. Muitos pensam q só o amor bastará, mas fio, amor não paga contas, haha. É preciso sim maturidade, estabilidade emocional, financiera (na hora de casar). Por isso casamento de pessoas muito novas normalmente não dá certo. Ok, passei pra outros assuntos, rsrs.
    Esse texto também me motiva a ralar mais e não só pensar em conhecimento :) tem q ter dos dois.
    Já vou ler o texto traduzido.

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